Exame toxicológico reduz acidentes envolvendo veículos pesados em 35% a 45%, segundo dados da PRF

O Brasil é o 2º maior consumidor mundial de cocaína e crack, de acordo com estudos sobre o consumo de drogas no último ano. São mais de 2,8 milhões de usuários, parte deles se trata de motoristas que viajam muitas horas seguidas, às vezes com prazos apertados de entrega ou chegada. Para se ter ideia, 1 a cada 3 caminhoneiros consomem drogas e estimulantes.

Além de exigido na aquisição e renovação das CNHs C, D e E, o exame toxicológico, que detecta o consumo de drogas nos 3 meses anteriores ao teste, também é obrigatório na contratação e demissão de motoristas profissionais pelo regime CLT.

Aí vem o dado alarmante: 75% dos resultados positivos dos exames realizados para esta finalidade se referem à cocaína, isso porque a substância faz parte do grupo das drogas estimulantes. Mas, os efeitos são perigosos: descontrole emocional, aumento da pressão e frequência cardíaca e perda da noção da realidade, causando mais acidentes.

 

Com exame, menos acidentes

Em razão do alto número de condutores que consumiam drogas, os acidentes envolvendo veículos pesados registravam números significativos antes da exigência do exame toxicológico em 2016. Segundo dados do MRPS e do Atlas de Acidentalidade – PVST 2014, sobre o ano de 2012, 38,4% dos acidentes nas rodovias federais envolviam caminhões e ônibus; 52,8% destes acidentes tinham vítimas fatais. Das 2.600 mortes no trânsito em 2014, 399 (15%) eram caminhoneiros.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o exame toxicológico tem reduzido os acidentes em 35% envolvendo caminhões e 45% relacionados a ônibus, apontando ser um forte instrumento de segurança no trânsito.

 

Menos consumidores de drogas na direção

A redução dos acidentes se deve à obrigatoriedade do exame toxicológico porque inibiu que motoristas profissionais usuários de drogas adquirissem ou renovassem suas carteiras de habilitação.

Segundo o Instituto de Tecnologias para o Trânsito Seguro, em março de 2016, havia 12.382.500 condutores das categorias C, D e E, com total de 1.928.612 renovações esperadas, e apenas 1.336.612 foram efetivadas. Do total de 592.589, migraram para categorias A e B 194.962 condutores, o potencial de positividade escondida foi de 397.627. Já o potencial de positividade escondida sobre o total de condutores é de 2.550.811.

Simplificando: 30,7% dos motoristas com CNH C, D e E não renovaram habilitação em 2016; 10,1% migraram para categorias A e B e 20,6% é o potencial de positividade escondida.

 

Sem exame, jornadas mais exaustivas

De acordo com informações do Ministério Público do Trabalho, a jornada diária de trabalho do motorista profissional seria ainda menos respeitada com o fim da exigência do exame toxicológico. A legislação estabelece 12 horas por dia no máximo, mas, sem o exame, motoristas seriam pressionados a cumprir mais entregas com prazos mais curtos e estariam sujeitos a jornadas de trabalho de mais de 16 horas por dia. Logo, o fim da exigência do exame traz mais malefícios aos motoristas.

 

Impacto na economia

As seguradoras estimam impacto negativo de cerca de R$ 200 bilhões por ano na economia do país com acidentes de trânsito, conforme publicado pelo jornal O Globo. A mesma pesquisa aponta redução significativa deste montante após exigência do exame toxicológico para motoristas profissionais. Uma economia de R$ 70 bilhões em acidentes de trânsito no primeiro ano da lei que exige o exame para motoristas profissionais. O estudo ainda aponta que 56 mil vidas foram poupadas nas regiões Sul e Sudeste em dois anos e 2,2 milhões de CNHs foram cassadas ou negadas.


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