Maioria é favorável ao exame toxicológico, segundo pesquisa do Ibope

Pesquisa realizada pelo Ibope entre os dias 14 e 18 de junho, divulgada no dia 10 de julho pelo jornal Correio Braziliense, aponta que a maioria da população se diz a favor da obrigatoriedade do exame toxicológico para motoristas.

Segundo o estudo, 93% dos 2.002 entrevistados de 144 municípios acreditam que a obrigatoriedade do exame toxicológico, que está em vigor desde 2016, deve permanecer e ser estendida a todos os condutores profissionais, independentemente do meio de transporte. E, ainda, 85% apoiam que os motoristas profissionais reprovados nesse exame tenham suas carteiras de habilitação suspensas até a realização de um novo teste com resultado negativo para o uso de drogas. A margem de erro do Ibope é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

Instituições também são favoráveis ao exame

Em entrevista ao Correio Braziliense, o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) 24ª região, Paulo Douglas, afirma que as jornadas de trabalho extensas motivam o uso de drogas por motoristas profissionais. “O uso caiu muito desde que o exame passou a ser obrigatório. Em 2015, a positividade total obtida com o teste, na pesquisa feita pelo MPT, era de 34%, e caiu para 14% em 2019”, pontuou.  

A redução dos acidentes nas estradas envolvendo os veículos contemplados pela obrigatoriedade do exame atualmente (categorias C, D e E) é o argumento utilizado pelo coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, para defender a continuidade da exigência. “Os acidentes envolvendo caminhões reduziram em 34%, e os acidentes com ônibus, em 45%”, detalha.

 

Projeto de lei sem apoio

No dia 4 de junho, o presidente Jair Bolsonaro encaminhou o projeto de lei 3.267/19 ao Congresso que altera trechos do Código de Trânsito Brasileiro, entre as alterações está o fim da obrigatoriedade do exame toxicológico para motoristas profissionais.

A propositura recebeu duras críticas de especialistas do trânsito, o que motivou a pesquisa encomendada ao Ibope.  O presidente da ONG Trânsito Amigo, Fernando Diniz, afirmou ao Correio Braziliense que a pesquisa mostra a opinião pública e reforça a importância do exame para a segurança nas estradas. “O PL que acaba com a obrigatoriedade do exame é um retrocesso, porque ninguém em sã consciência gostaria que o próprio filho fosse para a escola com um motorista usuário de drogas, por exemplo. A vida aqui no Brasil parece que é colocada em plano secundário", exemplificou.

A opinião é corroborada pelo presidente da OAB nacional, Felipe Santa Cruz. "Temos uma preocupação muito grande com essa agenda do atraso. A pesquisa do Ibope deixou claro que a opinião pública não apoia o fim dos exames toxicológicos", declarou.

O projeto ainda deve passar pelas comissões até chegar ao plenário da Câmara e do Senado. O caminho ainda é longo e pode ser demorado. E se depender de especialistas, instituições e da população em geral, a propositura não tem apoio para ser aprovada.

 

 

 

 


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